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PyCon [5] 2009 - Caxias do Sul

Ae, faz horas que não escrevo no meu blog, e já andava com saudade dele. A minha auxência é facilmente explicada pois atualmente meus dias não são mais contados em horas, mas sim pelo número de coisas que tenho que fazer por dia. Atualmente, estou me empenhando para concluir a tradução da documentação do Django 1.0 para Português do Brasil, fora a faculdade, que eu achei q seria barbada no início, mas esta exigindo muito trabalho fora de sala de aula. Junto tudo isso estou com 4 projetos em fase de acabamentos e detalhes, tudo contribuindo para aumentar a falta de tempo para escrever, e por em andamento várias idéias que tenho anotadas.

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Ae!

Depois de uma semana de negociações e escrita de projeto para o Google Summer of Code, volto a escrever no meu blog, pouco visitado, mas meu, hehehe. O assunto hoje é sobre uma febre que tomou conta do mercado de tecnologia no último ano e que hoje eu vejo que já passou. Certas que eu irei dizer pode ofender alguém, mas essa é uma opinião minha, baseada no que eu tenho visto, obviamente como uma pessoa de fora posso estar falando besteiras, mas é o risco que se corre ao querer opinar sobre qualquer assunto. O importante mesmo, é falar e manter a humildade.

O que é Hype?

O hype, formalmente conhecido como Hype Cycle, é uma representação gráfica da maturidade, adoção e aplicação de negócios de uma tecnologia específica. O termo foi forjado pela Gartner, uma casa de análise/pesquisa dos Estados Unidos, que provê opiniões, conselhos e dados para a indústria da tecnologia da informação.

Falando que nem gente agora, o hype hoje se traduz, não como uma análise gráfica, mas sim como uma atividade de marketing informal, gerando uma bolha de especulações e opiniões vindas de todas as direções, o que cria uma febre nas pessoas, instalando assim, uma necessidade de adoção de uma determinada tecnologia. Muita gente que ler isso pode não entender, mas eu vou dar um exemplo bem prático.

O caminho comum para divulgação de um certo produto normalmente é a televisão, por ser o maior meio de comunicação gratuído do mundo, ou o rádio, ou ainda a mídia impressa (folders, outdour, cartões, adesivos, camisetas, etc). Mas se pensarmos um pouquinho podemos notar que não passam propagandas do Orkut na televisão, ou em qualquer outro meio de comunicação, e também não recebemos brindes convidando-nos a se cadastrar nele. No entanto este software conseguiu atingir milhões de usuários no Brasil, e foi desenvolvido dentro do Google, láaaaa nos Estados Unidos.

Dae entra o tal Hype, você ouve tanto falar dessa coisa, que acaba sendo convencido a acessar, se cadastrar e começar a utilizar, como se fosse um artigo de moda, que você tem acesso sem muito custo. No começo você não entende muito, mas acaba se acostumando e sua vontade e a dos outros lhe faz acreditar que aquilo é bom.

Então essa atividade de falar, fazer propaganda gratuíta, agitar todos a sua volta, num esquema de corrente sem fim, contribui para o Hype Cycle, que demonstra que o software poderá ser rentável ou não em um curto espaço de tempo.

O Hype no desenvolvimento

Depois de vermos o que é o hype, agora vamos ao assunto que, é de fato, o foco deste texto, a efervecência do Ruby on Rails, Twitter, etc e a calmaria do Django, Pounce, etc. É nessa hora que alguém pode torcer a cara, mas acredite em mim, eu não sou de criticar nenhuma tecnologia, acho o Rails uma grande ferramenta e ele conseguiu fazer uma coisa que nínguem antes tinha conseguido: O Rails tornou o desenvolvimento web divertido.

O fato aqui é que eu como desenvolvedor web tento me manter antenado sobre os vários focos, hoje eu utilizo duas linguagens server-side, PHP e Python. No entanto, mantenho um olho sobre o Rails e as possibilidades que podem surgir.

O que de fato venho retratar aqui é a falta de movimentação que tenho notado na comunidade do Rails, quando eu digo isso, eu me refiro aos pontos mais fortes da comunidade como o RailsPodcast Brasil, por eu não participar dos fóruns e os poucos blogueiros que eu assino não relatarem nada, me provoca a impressão de que a comunidade gastou todas as suas forças no Rails Summit e depois adormeceu por tempo indeterminado.

Acredito também, que o Rails tenha sido vítima da indústria, assim como o Java, muitos casos de sucesso em pouquissímo tempo (twitter, blogsblogs, yellowpages, etc) o que deve ter provocado uma ilusão de que fazer software de qualidade com o Rails era mais fácil do que com outros tecnologias e mais rentável. Aquela velha história de que o Rails irá resolver os seus problemas assim como foi com o Java. Apesar de ter ouvido de muitas pessoas da comunidade, principalmente o que defendiam o Twitter no bombardeio de críticas, e que de fato é uma grande verdade, o Rails não é solução para tudo, e o hype sobre ele, poderia ter detonado com sua história no mundo do desenvolvimento.

Por outro lado existe um mundo menos conturbado, que é o do Python, primeiramente criticada por não possuir delimitadores de blocos mas depois isso foi sumindo, e as pessoas aprenderam que ter um código estéticamente perfeito também é importante, inclusive para sua leitura e compartilhamento. O Python, assim como o Ruby, possui um framework web bem badalado, o Django. Eu usuário do Django e participo dos fóruns, grupo de tradução da documentação, etc. O interessante é que eu fui atraído pelo Django não por que todo mundo falava dele o tempo todo, mas sim porquê eu já sou programador Python a mais de 4 anos.

O que eu encontrei na comunidade Django, foi um movimento lento, mas constante, de crescimento, e muita coisa nova vem surgindo desde a sua versão 1.0. Este, para mim, é um caso de consolidação, onde uma tecnologia evolui mesmo sem ter muita gente falando dela. No Django também existe uma podcast, não existe um brasileiro ainda, mas ele resistiu a passagem do ano, o que é muito importante para dar solidez ao movimento.

Não sei se é porquê a sua linguagem é Python que já é conhecido de longa data, mas o fato é que as pessoas ligadas ao Django, alcançam o mesmo nível de satisfação do usuários do Rails e nem por isso geram um hype tão grande. Até em discussões com a comunidade nós determinamos que o hype deveria ser evitado, isso para mim é um postura de constância, ou seja, dar um passo de cada vez, e não tentar dar um salto de uma hora pra outra.

Conclusão

Para mim a consolidação de uma tecnologia é muito mais importante do que a efervecência de sua comunidade, e tomara que isto esteja ocorrendo com o Rails também. O Django tem seus problemas que eu gostaria que não existissem, como a falta de um conjunto de helpers para Javascript, mas por outro lado ele se adona da modularidade do Python de uma forma muito mais simples e direta, o que realmente lhe permite desenvolver aplicações plugáveis, e não plugins na forma de aplicações.

Peço desculpas a quem se ofender com o texto, mas eu não gosto de ver uma comunidade fazer tanto barulho e depois de um recesso de final de ano, simplesmente se calar como está ocorrendo agora. Quem é da comunidade por favor, me critique e dê sua opinião.

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